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Prêmio Marcel Duchamp 2026: os quatro indicados antes do anúncio

O principal prêmio de arte contemporânea da França anuncia seu vencedor de 2026 em 22 de outubro, em Paris. Saiba quem são os quatro indicados, como é a exposição no Musée d'Art Moderne e como o júri decide.

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O prédio do Palais de Tokyo, em Paris, sede do Musée d'Art Moderne de Paris, ao lado da passarela Debilly sobre o rio Sena
Ana Paula Hirama / Wikimedia Commons / CC BY-SA 2.0 · Source

Principais pontos

  • O vencedor do Prêmio Marcel Duchamp 2026, a premiação de arte contemporânea mais conhecida da França, deve ser anunciado na quinta-feira, 22 de outubro de 2026, durante a semana da arte de Paris, no Musée d'Art Moderne de Paris (MAM).
  • Quatro indicados estão na disputa: Joël Andrianomearisoa, a dupla Brognon Rollin (David Brognon e Stéphanie Rollin), Laura Henno e Josèfa Ntjam.
  • O prêmio vale € 90.000 no total, dos quais € 35.000 vão diretamente para o artista vencedor, segundo os organizadores.
  • Um júri internacional de dez membros, presidido por Xavier Rey, diretor do Musée national d'art moderne do Centre Pompidou, escolherá o vencedor.
  • A exposição dos indicados é gratuita e fica em cartaz no MAM de 2 de outubro de 2026 a 7 de fevereiro de 2027.

Um prêmio decidido em plena semana da arte de Paris

Todo mês de outubro, quando galerias, colecionadores e curadores chegam a Paris para as feiras de arte da cidade, um anúncio atrai atenção especial do meio artístico francês: o nome do novo vencedor do Prêmio Marcel Duchamp. A decisão deste ano está marcada para quinta-feira, 22 de outubro, no Musée d'Art Moderne de Paris, que recebe a exposição dos indicados pelo segundo ano consecutivo.

O prêmio foi criado em 2000 pela ADIAF (Association pour la diffusion internationale de l'art français), um grupo de colecionadores particulares, e é realizado em parceria com o Centre Pompidou. A ADIAF apresenta 2026 como a 26ª edição do prêmio. Ele é voltado a artistas franceses ou que vivem e trabalham na França e, ao longo dos anos, tornou-se um forte sinal de reconhecimento institucional para artistas em meio de carreira.

A exposição saiu do Centre Pompidou e foi para o MAM em 2025 porque o prédio histórico do Pompidou, no bairro de Beaubourg, fechou para uma longa reforma. Segundo o comunicado de imprensa do MAM, o museu receberá as exposições do Prêmio Marcel Duchamp até 2029.

Os quatro indicados

Os indicados foram escolhidos em 8 de janeiro de 2026 por um comitê de seleção da ADIAF formado por colecionadores da associação. A tabela abaixo reúne os dados básicos divulgados pelos organizadores.

IndicadoNascimentoPrincipais meiosGalerias listadas pelo MAM
Joël Andrianomearisoa1977, Antananarivo (Madagascar)Escultura, instalação, têxtil, arquiteturaAlmine Rech (Paris), Primo Marella (Milão), Sabrina Amrani (Madri)
Brognon Rollin (David Brognon e Stéphanie Rollin)1978, Messancy (Bélgica); 1980, LuxemburgoInstalação, escultura, vídeo, performance, fotografiaMFC-Michèle Didier (Paris)
Laura Henno1976, Croix (França)Fotografia, cinemaGalerie Nathalie Obadia (Paris)
Josèfa Ntjam1992, Metz (França)Escultura, fotomontagem, cinema, som, performance, escritaNicoletti Contemporary (Londres)

Fontes: anúncio dos indicados da ADIAF; comunicado de imprensa do Musée d'Art Moderne de Paris de 30 de junho de 2026.

Joël Andrianomearisoa

Nascido em Antananarivo, capital de Madagascar, Andrianomearisoa trabalha com escultura, instalação, têxtil e arquitetura. A ADIAF descreve sua obra como a construção de narrativas abstratas, e não literais, muitas vezes em torno da presença física das emoções. Segundo a ADIAF, tanto suas raízes malgaxes quanto suas viagens pelo mundo alimentam o trabalho, que se expressa mais por atmosfera e sentimento do que por narração direta.

Brognon Rollin

David Brognon e Stéphanie Rollin, nascidos na Bélgica e em Luxemburgo, respectivamente, trabalham em dupla, e por isso parte da imprensa observa que a lista de indicados reúne, tecnicamente, cinco pessoas. Suas instalações, esculturas, vídeos, performances e fotografias se concentram em pessoas que vivem à margem da sociedade, sobretudo aquelas que estão confinadas ou mantidas longe dos olhos do público. Segundo a ADIAF, a dupla constrói cada projeto a partir de pesquisa, de tempo passado em campo e de colaboração com as pessoas envolvidas.

Laura Henno

Henno é fotógrafa e cineasta, e a ADIAF descreve seu trabalho como politicamente engajado. Ela passou longos períodos com comunidades marcadas pela migração e pela vida à margem, inclusive em Comores e em Mayotte, no oceano Índico, e em um assentamento no deserto da Califórnia. Dos quatro indicados, é a mais associada à câmera, trabalhando tanto com imagens fixas quanto em movimento.

Josèfa Ntjam

A mais jovem dos indicados, nascida em 1992, Ntjam é artista, performer e escritora. Ela combina escultura, fotomontagem, cinema e som, a partir de imagens e textos reunidos na internet, em livros de ciência e em arquivos. A ADIAF afirma que ela usa esse material para questionar narrativas dominantes sobre origens e identidade, misturando-o com referências à mitologia africana e à ficção científica.

O que está em exposição no Musée d'Art Moderne

Diferentemente das edições anteriores, realizadas em uma única galeria temporária do Centre Pompidou, os quatro indicados apresentam seus trabalhos dentro das salas da própria coleção do MAM. O museu descreve a montagem como uma "constelação" de apresentações espalhadas pelo prédio do Palais de Tokyo, na avenue du Président Wilson. A entrada é gratuita, assim como o acesso à coleção permanente do MAM.

A curadoria é de Odile Burluraux, curadora-chefe do MAM, e de Nicolas Liucci-Goutnikov, curador do Musée national d'art moderne do Centre Pompidou. A exposição foi aberta em 2 de outubro e, segundo o MAM, vai até 7 de fevereiro de 2027; alguns guias indicam 14 de fevereiro de 2027 como data de encerramento, por isso vale consultar o site do museu antes de planejar a visita. Os documentos oficiais analisados para esta reportagem não trazem uma lista completa das obras expostas.

Como o júri escolhe o vencedor

O prêmio funciona em duas etapas. Primeiro, o comitê de seleção da ADIAF escolhe quatro indicados em janeiro. Depois, em outubro, um júri internacional se reúne durante a semana da arte de Paris para definir o vencedor, com o anúncio feito no MAM. Para 2026, a ADIAF lista o júri da seguinte forma: Xavier Rey (presidente), Claude Bonnin, Akemi Shiraha, Fabrice Hergott (diretor do MAM), Fernando Arriola, Kader Attia, Berlinde De Bruyckere, Karin Hindsbo, Christophe Leribault e Marie-Cécile Zinsou. Os organizadores dizem que o júri reúne dirigentes de instituições de arte, colecionadores e dois artistas. Kader Attia, um dos jurados, venceu o prêmio em 2016.

Em edições anteriores, cada indicado foi apresentado ao júri por um "rapporteur", geralmente um curador ou crítico que expõe o trabalho do artista antes da deliberação. Na edição de 2025, por exemplo, o anúncio do vencedor feito pela ADIAF citava um rapporteur diferente para cada um dos quatro finalistas. Os rapporteurs de 2026 não haviam sido divulgados nas fontes analisadas para esta reportagem. As deliberações do júri são fechadas, e os organizadores não divulgam a contagem de votos.

Vencedores recentes

AnoVencedor
2025Xie Lei
2024Gaëlle Choisne
2023Tarik Kiswanson
2022Mimosa Echard
2021Lili Reynaud-Dewar
2020Kapwani Kiwanga

Fontes: lista de edições da ADIAF; anúncio do vencedor de 2025 da ADIAF.

No ano passado, o júri se reuniu em 23 de outubro de 2025 e escolheu a pintora Xie Lei, radicada em Paris, em uma lista que incluía também Bianca Bondi, Eva Nielsen e Lionel Sabatté. Entre os vencedores anteriores estão Thomas Hirschhorn, Dominique Gonzalez-Foerster, Tatiana Trouvé, Cyprien Gaillard, Latifa Echakhch e Kader Attia.

Datas importantes da edição 2026

DataEtapa
8 de janeiro de 2026Comitê de seleção da ADIAF anuncia os quatro indicados
2 de outubro de 2026Exposição dos indicados é aberta ao público no MAM
22 de outubro de 2026Júri se reúne e o vencedor é anunciado durante a semana da arte de Paris
7 de fevereiro de 2027Encerramento da exposição (data informada pelo MAM)

O que significa

Para os artistas, o prêmio importa muito além dos € 35.000. Vencer traz visibilidade junto a museus e colecionadores exatamente no momento em que boa parte do mundo da arte internacional está reunida em Paris. Até a indicação tem peso: a ADIAF afirma ter organizado cerca de 50 exposições na França com indicados e vencedores, além de mostras no exterior com o apoio do Institut français.

A lista deste ano também reflete temas que atravessam a arte francesa recente: a migração e a vida à margem (Henno e Brognon Rollin), histórias e identidades formadas para além da França continental (Andrianomearisoa e Ntjam) e práticas que misturam vários meios em vez de se limitar a uma única disciplina. Seja qual for o artista escolhido pelo júri em 22 de outubro, as quatro apresentações continuam em cartaz no MAM até o início de 2027. Até que o anúncio seja feito, o resultado não é conhecido, e não há favorito oficial.

Perguntas frequentes

Quando será anunciado o vencedor do Prêmio Marcel Duchamp 2026?

O vencedor deve ser anunciado na quinta-feira, 22 de outubro de 2026, durante a semana da arte de Paris, no Musée d'Art Moderne de Paris.

Quem são os indicados de 2026?

Joël Andrianomearisoa, a dupla Brognon Rollin (David Brognon e Stéphanie Rollin), Laura Henno e Josèfa Ntjam.

Quanto vale o Prêmio Marcel Duchamp?

Segundo os organizadores, o prêmio vale € 90.000 no total, incluindo € 35.000 pagos diretamente ao artista vencedor.

Quem escolhe o vencedor?

Um júri internacional de dez membros presidido por Xavier Rey, diretor do Musée national d'art moderne do Centre Pompidou, que reúne diretores de museus, colecionadores e dois artistas.

Onde e até quando é possível ver os trabalhos dos indicados?

Segundo o museu, a exposição gratuita fica no Musée d'Art Moderne de Paris de 2 de outubro de 2026 a 7 de fevereiro de 2027.

Fontes

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