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Eleição no Brasil: Ibovespa sobe 10% em outubro e dólar abaixo de R$5

As ações brasileiras e o real dispararam depois que Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno e passaram a oscilar a cada pesquisa do segundo turno. Veja o que os investidores precificam sobre a política fiscal e a Selic, e o que acompanhar quando a B3 reabrir na segunda-feira.

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Eleição no Brasil: Ibovespa sobe 10% em outubro e dólar abaixo de R$5
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Principais pontos

  • A liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, em 4 de outubro, provocou uma alta de 7,70% do Ibovespa em um único dia, 5 de outubro, o primeiro fechamento do índice acima de 200 mil pontos, e o real se valorizou cerca de 4% frente ao dólar.
  • Desde então, as ações brasileiras oscilam a cada pesquisa do segundo turno. O índice subiu 1,6% em 20 de outubro após uma pesquisa favorável a Flávio, caiu 1,1% em 22 de outubro quando a Quaest mostrou a diferença diminuindo e ganhou 0,47% em 23 de outubro depois que o Datafolha apontou empate em 50% a 50%.
  • Os investidores estão precificando sobretudo a política fiscal. Parte deles espera que um governo de Flávio Bolsonaro corte gastos, o que veem como caminho para juros mais baixos, mas a campanha dele não publicou medidas fiscais concretas, segundo a Trading Economics.
  • A Selic está em 13,75%, segundo dados do Banco Central do Brasil. A próxima decisão do Copom está prevista para 4 de novembro, e a segunda-feira, 26 de outubro, é o primeiro pregão após a votação.

Como o Ibovespa reagiu à eleição no Brasil

Os ativos brasileiros chegam ao segundo turno de 25 de outubro bem acima do nível do início do mês. O Ibovespa fechou a sexta-feira a 205.082,56 pontos, alta de 10,06% em outubro, e o dólar terminou abaixo de R$ 5, informou a Agência Brasil, com pesquisas mostrando Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico.

A eleição no Brasil é o principal tema dos mercados locais desde o início de outubro. Na sexta-feira, 2 de outubro, último pregão antes do primeiro turno, o Ibovespa fechou a 192.114,55 pontos, segundo o The Rio Times. Na segunda-feira, 5 de outubro, depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o índice fechou a 206.911,89 pontos. Foi uma alta de 7,70% em um único pregão.

O The Rio Times relatou que os investidores interpretaram o resultado do primeiro turno como um aumento das chances de troca de governo e de maior contenção de gastos públicos a partir de 2027. A CNN Brasil informou no dia seguinte que participantes do mercado viam como improvável uma virada de Lula no segundo turno e que Flávio era visto como mais propenso a priorizar o ajuste fiscal, embora seus planos não estivessem claros. Desde então, as pesquisas se apertaram, e os mercados acompanharam esse movimento.

Fechamentos do Ibovespa em torno da eleição no Brasil (dados até o fechamento de 23 de outubro, por volta das 20:00 UTC)
PregãoFechamento do IbovespaVariação diáriaContexto relatadoFonte
Sex, 2/10192.114,55+2,63%Último pregão antes do primeiro turnoThe Rio Times
Seg, 5/10206.911,89+7,70%Primeiro pregão depois que Flávio liderou o primeiro turnoThe Rio Times; CNN Brasil
Ter, 20/10208.296+1,6%Pesquisa Real Time Big Data: Flávio 52%, Lula 48% dos votos válidosTrading Economics
Qui, 22/10204.120−1,1%Pesquisa Quaest mostrou a vantagem de Flávio caindo para um pontoTrading Economics
Sex, 23/10205.082,56+0,47%Pesquisa Datafolha: 50% dos votos válidos para cada um; último pregão antes do segundo turnoAgência Brasil

Na semana até 23 de outubro, o Ibovespa recuou 0,17%, de 205.430 pontos em 16 de outubro, segundo a Agência Brasil e o The Rio Times. A Trading Economics observa que os valores do índice que publica vêm de preços de CFD e podem diferir ligeiramente dos dados oficiais da B3.

Como o real se movimentou

A reação do câmbio foi igualmente forte. A taxa de referência PTAX, que o Banco Central do Brasil publica a cada dia útil, caiu de 5,2238 reais por dólar em 2 de outubro para 4,9859 em 5 de outubro, o que significa que o dólar recuou cerca de 4,6% frente ao real em um único pregão. No mercado à vista, o dólar fechou 5 de outubro em queda de 4,12%, a R$ 5,0022, informou o The Rio Times.

Depois, o dólar voltou a subir um pouco. A PTAX chegou a 5,0826 em 16 de outubro, e a Agência Brasil informou que o dólar acumulou alta de 1,77% na semana encerrada nessa data. Na última semana antes do segundo turno, voltou a cair. Na sexta-feira, 23 de outubro, o dólar à vista fechou a R$ 4,993, queda de 0,92% no dia e de 1,58% na semana, segundo a Agência Brasil. A PTAX fixada mais cedo naquele dia foi de 5,0377.

Taxa de referência USD/BRL (PTAX, reais por dólar americano), Banco Central do Brasil
DataTaxa PTAXObservação
2/10/20265,2238Antes do primeiro turno
5/10/20264,9859Depois do primeiro turno
16/10/20265,0826Máxima de outubro após o primeiro turno
20/10/20265,0140Dia da alta de 1,6% do Ibovespa
23/10/20265,0377Última PTAX antes do segundo turno

Um real mais forte não favorece todas as empresas. O InfoMoney informou, conforme citado pelo The Rio Times, que exportadoras como Suzano, Embraer e WEG caíram em 5 de outubro, porque uma moeda mais firme reduz o valor em reais de suas receitas em dólar.

Bancos e outras ações que reagiram às pesquisas

Os grandes bancos estão entre as ações mais sensíveis às pesquisas, ao lado da B3, operadora da bolsa. Os relatórios de pregão da Trading Economics mostram esse padrão na última semana:

Movimentos selecionados de ações na semana do segundo turno (variações no fechamento da B3)
PregãoMovimentos relatadosFonte
20/10Itaú cerca de +2,9%, Bradesco cerca de +2,9%, B3 +5,4%, Vale −1,4% (queda dos preços do minério de ferro na China)Trading Economics
22/10Itaú −1,8%, Itaúsa −2,6%, Bradesco −2,1%, Vale −4% (minério de ferro), WEG −2,7%Trading Economics
23/10Banco do Brasil +3,3%, Bradesco +0,7% (resultado do terceiro trimestre em linha, recompra de ações), Petrobras +1,7% (alta do petróleo)Trading Economics

Nem todo movimento teve a ver com a eleição. A Vale acompanhou o minério de ferro, a Petrobras acompanhou o petróleo, e o Bradesco reagiu ao próprio resultado trimestral. A Agência Brasil informou que o petróleo Brent subiu 3,13%, para US$ 116,72 o barril, em 23 de outubro, em meio às tensões no Oriente Médio.

As ações brasileiras negociadas em Nova York oscilaram ainda mais em 5 de outubro, porque seus preços em dólar incorporam o movimento do câmbio. O The Rio Times informou que o ETF iShares MSCI Brazil (EWZ) subiu 12,57% naquele dia, enquanto os ADRs de Itaú Unibanco e Bradesco ganharam 15,42% e 18,48%.

O que os investidores estão precificando: política fiscal e Selic

A ligação mais citada entre a votação e os preços dos ativos é a política fiscal. A Trading Economics informou que parte dos investidores vê Flávio Bolsonaro como mais propenso a cortar gastos públicos, o que consideram essencial para juros mais baixos. A empresa também observou que nem o candidato nem seus assessores econômicos apresentaram ajustes fiscais concretos. A consultoria Capital Economics, sediada em Londres, afirmou que uma vitória de Flávio traria melhores perspectivas de aperto fiscal e reformas, segundo o The Rio Times. Essas são opiniões de investidores e analistas, e não uma avaliação do programa de qualquer um dos candidatos.

Os contratos futuros de juros mostram as mesmas expectativas. Segundo o Valor, citado pelo The Rio Times, o DI para janeiro de 2031 caiu 97 pontos-base, para 13,02%, no início do pregão de 5 de outubro e atingiu o limite diário da B3. A CNN Brasil informou que o DI para janeiro de 2028 estava em 12,61% em 6 de outubro.

A taxa oficial é definida separadamente pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Dados do Banco Central do Brasil mostram a meta da Selic em 13,75%. A taxa foi cortada em 0,25 ponto percentual em 16 de setembro, a quinta redução consecutiva, segundo O Povo e o The Rio Times. O The Rio Times indica a próxima decisão de juros para 4 de novembro. O Copom decide os juros de acordo com seu próprio mandato, seja quem for o vencedor da eleição presidencial.

O que acompanhar quando os mercados reabrirem na segunda-feira

  • O resultado oficial. O TSE divulga os resultados em seu portal oficial após o encerramento da votação, às 17h (horário de Brasília; 20:00 UTC) de domingo. Os mercados vão reagir à margem de votos, além do vencedor, e a eventuais contestações do resultado por qualquer uma das campanhas.
  • A abertura de segunda-feira. Em 26 de outubro acontece o primeiro pregão da B3 após a votação. O The Rio Times alertou para o risco de saltos de preço nos ADRs brasileiros e no EWZ, que não puderam ser negociados com base no resultado durante o fim de semana.
  • O real e os juros futuros (DI). Foram os que reagiram mais rápido às notícias fiscais neste mês. Declarações da equipe econômica do vencedor sobre regras de gastos e orçamento serão acompanhadas de perto.
  • Balanços. O Santander Brasil divulga resultados em 28 de outubro, antes da abertura; a Vale, em 29 de outubro, após o fechamento; e o Itaú Unibanco, em 3 de novembro, após o fechamento, segundo o calendário do Seu Dinheiro. As empresas podem alterar essas datas.
  • Copom, 4 de novembro. Será a primeira decisão de juros após a eleição. O Boletim Focus semanal do Banco Central, com projeções de economistas e normalmente divulgado às segundas-feiras, mostrará se as previsões de juros e inflação mudam depois do resultado.

O que significa

A alta de outubro mostra que boa parte da reação do mercado à eleição no Brasil veio depois do primeiro turno, quando os investidores começaram a precificar uma possível troca de governo e maior contenção de gastos. Desde então, os fechamentos relatados do Ibovespa na última semana variaram entre 204.120 e 208.296 pontos, oscilando a cada pesquisa. As últimas pesquisas mostram empate técnico, de modo que os preços de sexta-feira refletem incerteza, e não uma visão consolidada.

A narrativa fiscal por trás da alta se apoia mais em expectativas do que em planos publicados. Isso abre espaço para movimentos bruscos em qualquer direção quando o vencedor anunciar a equipe econômica e definir as prioridades orçamentárias. O real, os juros futuros e as ações dos bancos têm sido os termômetros mais claros até agora. Quem acompanhar o pregão de segunda-feira pode comparar a abertura com os níveis de 23 de outubro nas tabelas acima. Para o contexto político, veja nosso guia sobre a reta final do segundo turno no Brasil. Para o cenário cambial, veja nosso resumo semanal de câmbio de 23 de outubro. Mais cobertura no painel de mercados e na página do tema Brasil.

Perguntas frequentes

Como o Ibovespa reagiu ao resultado do primeiro turno da eleição?

Em 5 de outubro de 2026, primeiro pregão depois que Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno, o Ibovespa subiu 7,70% e fechou a 206.911,89 pontos, seu primeiro fechamento acima de 200 mil pontos, segundo o The Rio Times. No mesmo dia, o dólar caiu cerca de 4% frente ao real.

Onde o Ibovespa e o real fecharam antes do segundo turno?

Na sexta-feira, 23 de outubro, último pregão antes do segundo turno de 25 de outubro, o Ibovespa fechou a 205.082,56 pontos, alta de 0,47%, e o dólar à vista fechou a R$ 4,993, queda de 0,92%, segundo a Agência Brasil.

Qual é a taxa Selic antes da eleição?

Dados do Banco Central do Brasil mostram a meta da Selic em 13,75%, após um corte de 0,25 ponto em 16 de setembro de 2026. A próxima decisão de juros do Copom está marcada para 4 de novembro.

Por que os investidores associam a eleição aos juros?

Parte dos investidores espera que um governo de Flávio Bolsonaro corte gastos públicos, o que consideram essencial para juros mais baixos, segundo a Trading Economics. A campanha dele não publicou medidas fiscais concretas, portanto essa expectativa não se baseia em um plano detalhado.

Fontes

Este artigo é apenas informativo e não constitui recomendação de investimento.

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