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Importadora de Nova Jersey contesta tarifas de 50% sobre o Canadá

A Gellert Global Group pediu ao Tribunal de Comércio Internacional dos EUA que derrube as tarifas de 50% sobre produtos canadenses. A empresa argumenta que a lei de 1930 que as sustenta foi substituída por leis comerciais posteriores. A Casa Branca diz que vai defendê-las.

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Fachada do edifício James L. Watson do Tribunal de Comércio Internacional, no sul de Manhattan, em Nova York
Americasroof / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0 · Source

Principais pontos

  • A Gellert Global Group, importadora familiar de alimentos sediada em Nova Jersey, entrou com uma ação em 20 de outubro de 2026 no Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, em Nova York, contestando as tarifas de 50% sobre produtos canadenses.
  • A ação mira a Seção 338 da Lei Tarifária de 1930. Segundo um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS) de setembro de 2026, é a primeira vez que um presidente invoca expressamente essa lei para impor tarifas.
  • O Liberty Justice Center representa a empresa. A entidade argumenta que leis comerciais posteriores substituíram a Seção 338 e pede que o caso seja tratado como ação coletiva em nome de outros importadores afetados.
  • A Associated Press informou que a Casa Branca disse que vai "defender vigorosamente" as tarifas, que apresenta como resposta ao tratamento dado pelo Canadá às exportações americanas de laticínios, bebidas alcoólicas e automóveis.
  • A ação se soma a uma série de processos sobre tarifas em 2026, incluindo a decisão da Suprema Corte de fevereiro contra tarifas baseadas em poderes de emergência e uma decisão do tribunal de comércio de maio contra as tarifas da Seção 122.

Quem entrou com a ação, e onde

A autora é a Gellert Global Group, que a Associated Press descreve como uma empresa familiar de terceira geração em Nova Jersey que importa queijo canadense. A ação foi protocolada na terça-feira, 20 de outubro, no Tribunal de Comércio Internacional dos EUA (CIT), em Nova York, o tribunal federal que julga disputas sobre direitos aduaneiros e direito comercial.

O The Globe and Mail informou que a Gellert importou cerca de US$ 71 milhões em queijo canadense em 2025. A empresa afirma que as tarifas podem lhe custar cerca de US$ 40 milhões por ano e que foi prejudicada de forma "direta e irreparável". Seus advogados pedem ao tribunal que certifique uma classe, o que permitiria que o caso abrangesse outras empresas que pagam as mesmas tarifas.

Segundo os relatos publicados sobre a ação, a autora pede que as tarifas sejam declaradas ilegais, uma ordem para suspender sua cobrança e a restituição, com juros, das tarifas já pagas. Um relato afirma que a autora também pediu uma liminar enquanto o caso tramita. A Bullquill não analisou a petição em si, e o tribunal ainda não decidiu nem divulgou um cronograma.

A lei contestada: a Seção 338

A Seção 338 da Lei Tarifária de 1930 (19 U.S.C. §1338) faz parte da mesma lei da época da Grande Depressão frequentemente chamada de Smoot-Hawley. Segundo o CRS, ela permite ao presidente impor tarifas sobre produtos de um país que discrimine o comércio americano. A alíquota deve compensar a desvantagem e não pode passar de 50%. Se a discriminação continuar, o presidente pode ir além e proibir a entrada dos produtos desse país nos Estados Unidos.

O governo usou esse poder contra o Canadá em etapas. O CRS lista estas datas:

Data (2026)Medida
20 de julhoAs proclamações 11046 (bebidas alcoólicas), 11047 (laticínios) e 11048 (veículos automotores) anunciam tarifas de 50% a partir de 19 de agosto
18 de agostoA proclamação 11056 suspende as tarifas até 22 de agosto
22 de agostoAs tarifas de 50% entram em vigor após o fracasso das negociações
8 de setembroO Canadá começa a aplicar tarifas retaliatórias sobre cerca de C$ 27,6 bilhões em produtos americanos. Novas proclamações revisam as listas de produtos abrangidos, com vigência a partir de 15 de setembro
29 de setembroEntram em vigor proibições de importação de certos produtos canadenses, incluindo bebidas alcoólicas, alguns laticínios e motocicletas

Fonte: Serviço de Pesquisa do Congresso, relatório R49349 (14 de setembro de 2026).

Reportagens estimam em cerca de US$ 20 bilhões por ano os produtos sujeitos à tarifa de 50%. O CRS informa que os produtos proibidos somaram cerca de US$ 967 milhões em 2025, aproximadamente 0,3% das importações americanas vindas do Canadá. As tarifas não isentam produtos que se qualificam pelo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). A Casa Branca afirmou que, para alguns produtos, as tarifas da Seção 338 e da Seção 232 se somam, resultando em alíquotas combinadas de até 100%.

Os argumentos dos dois lados

A autora

O Liberty Justice Center é um grupo jurídico libertário que participou do litígio contra as tarifas emergenciais de 2025. O grupo argumenta que o Congresso aprovou depois leis comerciais que dão ao presidente poder tarifário apenas em situações definidas, como ameaças à segurança nacional ou crises cambiais, e somente após investigações e outros procedimentos. Na visão do grupo, essas leis substituíram a Seção 338 e a tornaram obsoleta. O The Globe and Mail informou que a petição classifica a Seção 338 como uma norma "nunca concebida para o propósito" de exercer um poder que a Constituição atribui ao Congresso.

A ação também contesta a base factual das tarifas. O governo citou três medidas canadenses: o sistema de gestão da oferta de laticínios, as tarifas retaliatórias canadenses sobre automóveis americanos e as restrições provinciais a bebidas destiladas dos EUA. A ação afirma que nenhuma delas configura a discriminação contra os Estados Unidos exigida pela lei. "Nenhum presidente deveria ter o poder de tirar da prateleira uma lei adormecida", disse Sara Albrecht, presidente do grupo, segundo a AP.

O governo

A AP informou que a Casa Branca disse que vai defender vigorosamente as tarifas e considera a Seção 338 o instrumento certo para combater o que descreve como discriminação canadense contra as exportações americanas de laticínios, bebidas alcoólicas e automóveis. O relatório do CRS detalha essas queixas. Entre elas estão as cotas tarifárias do Canadá para laticínios e sua lei de junho de 2025 (Bill C-202), que limita futuros aumentos de cotas para laticínios, aves e ovos; as proibições provinciais a bebidas alcoólicas americanas iniciadas em março de 2026; e as tarifas canadenses de 25% sobre veículos dos EUA. O Escritório do Representante Comercial dos EUA não respondeu de imediato ao pedido de comentário da AP.

Processos anteriores sobre tarifas

O caso chega a um tribunal que já julgou várias contestações de tarifas neste ano. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte decidiu, no caso Learning Resources, Inc. v. Trump, que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não autoriza tarifas. Segundo a AP, o governo teve então de restituir bilhões de dólares a importadores. O governo recorreu a outras bases legais. Uma delas foi uma tarifa global temporária de 10% com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. Em 7 de maio de 2026, um painel dividido do CIT declarou essa tarifa ilegal, mas limitou a reparação aos importadores com legitimidade no caso. O governo recorreu, e o Tribunal de Apelações do Circuito Federal concedeu uma suspensão temporária em 12 de maio. Estão pendentes outras contestações contra tarifas de 10% a 12,5% impostas em julho a dezenas de parceiros comerciais com base na fiscalização de trabalho forçado, e contra tarifas da Seção 301.

O caso Gellert difere desses processos porque a Seção 338 quase não tem histórico nos tribunais. Os juízes terão de decidir se uma disposição de 1930 que nenhum presidente havia usado expressamente para impor tarifas ainda está em vigor. Se estiver, também terão de decidir até que ponto podem revisar a conclusão de um presidente de que outro país "discrimina" o comércio americano.

O comércio em jogo

O Canadá é um dos maiores parceiros comerciais dos EUA em bens. Dados do Departamento do Censo dos EUA mostram que as importações americanas vindas do Canadá caíram em 2025 e que o déficit bilateral diminuiu:

PeríodoExportações dos EUA para o CanadáImportações dos EUA vindas do CanadáSaldo
2024US$ 350,6 biUS$ 411,8 bi−US$ 61,2 bi
2025US$ 333,6 biUS$ 381,9 bi−US$ 48,3 bi
Jan–ago 2026US$ 236,0 biUS$ 269,6 bi−US$ 33,7 bi

Fonte: Departamento do Censo dos EUA, comércio de bens com o Canadá (dólares americanos nominais, sem ajuste sazonal; último mês agosto de 2026, acessado em 21 de outubro de 2026).

Os alimentos são uma parte importante desse fluxo. O Serviço de Pesquisa Econômica do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informa que o Canadá forneceu 18,5% das importações agrícolas americanas em 2025. Os principais itens foram cacau e preparações de cacau (US$ 3,2 bilhões), óleo de colza (canola) (US$ 3,0 bilhões), carne bovina (US$ 3,0 bilhões), gado bovino (US$ 1,8 bilhão), doces e bolos congelados (US$ 1,7 bilhão) e batatas congeladas (US$ 1,7 bilhão). A maioria desses produtos não está nas listas da Seção 338. As tarifas incidem de forma mais restrita sobre laticínios, bebidas alcoólicas, produtos de madeira, móveis e um conjunto de bens de consumo, de modo que o peso recai sobretudo sobre importadores especializados, como distribuidores de queijo.

O que significa

Para os importadores, a questão imediata é o custo. A tarifa de 50% é paga na fronteira pelo importador registrado nos EUA. A própria estimativa da Gellert, de até US$ 40 milhões por ano, mostra o peso que isso pode ter para uma empresa construída em torno de uma única categoria de produto. Se o tribunal certificar uma classe, qualquer decisão sobre restituições pode alcançar muito além de uma única empresa. As disputas sobre restituições deste ano após a decisão da Suprema Corte sugerem que essas questões podem levar meses para ser resolvidas.

Para a política comercial, o caso testa se o governo pode se apoiar em leis antigas depois que a Suprema Corte fechou o caminho das tarifas baseadas em poderes de emergência. Uma decisão contra a Seção 338 reduziria as opções de tarifas direcionadas a países específicos. Uma decisão favorável ao governo poderia estimular um uso mais amplo da disposição, incluindo seu poder de proibir importações. Para as relações entre EUA e Canadá, a ação não mudará as tarifas no curto prazo. As tarifas e as contramedidas canadenses continuam em vigor, a menos que um tribunal determine o contrário ou que os dois governos cheguem a um acordo.

Várias questões ainda estão em aberto: quando o CIT vai analisar um eventual pedido de liminar, se o governo vai pedir a extinção do caso e se outros importadores vão aderir.

Perguntas frequentes

Quem entrou com a ação contra as tarifas sobre o Canadá?

A Gellert Global Group, importadora familiar de queijo canadense de Nova Jersey, entrou com a ação em 20 de outubro de 2026. Ela é representada pelo Liberty Justice Center e pede status de ação coletiva.

Qual tribunal vai julgar o caso?

O Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, em Nova York, o tribunal federal que julga disputas sobre direitos aduaneiros e direito comercial.

O que é a Seção 338 da Lei Tarifária de 1930?

Ela permite ao presidente impor tarifas de até 50% sobre produtos de países que discriminem o comércio americano e proibir esses produtos se a discriminação continuar. O Serviço de Pesquisa do Congresso afirma que as tarifas de 2026 sobre o Canadá são a primeira vez que um presidente a usa expressamente para impor tarifas.

O que diz o governo?

Segundo a Associated Press, a Casa Branca disse que vai defender vigorosamente as tarifas. O governo as apresenta como resposta ao tratamento dado pelo Canadá às exportações americanas de laticínios, bebidas alcoólicas e automóveis.

As tarifas ficam suspensas enquanto o caso tramita?

Não. As tarifas continuam em vigor, a menos que o tribunal determine o contrário. Quando este artigo foi escrito, o tribunal ainda não havia decidido nem divulgado um cronograma.

Fontes

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