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Witkoff vai à Rússia apresentar a Putin plano de paz para a Ucrânia

Depois das conversas em Oslo com Zelensky e líderes europeus, o enviado americano Steve Witkoff desembarcou em São Petersburgo com um plano de paz atualizado. Veja o que cada lado disse e o que continua sem solução sobre território e garantias de segurança.

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O enviado especial dos EUA Steve Witkoff no Palácio do Eliseu, em Paris, em abril de 2025
U.S. Department of State / Wikimedia Commons / Public domain · Source

Principais pontos

  • O enviado especial dos EUA Steve Witkoff chegou a São Petersburgo na manhã de 21 de outubro de 2026, um dia após conversas em Oslo com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e líderes europeus, segundo o Kyiv Independent e a UNN, que citou o Axios.
  • Um funcionário americano citado pelo Axios disse que Witkoff apresentaria um plano atualizado para encerrar a guerra e que Washington espera que ele abra caminho para "negociações trilaterais diretas e negociações multilaterais mais amplas".
  • Zelensky disse que Witkoff levaria propostas de garantias de segurança no pós-guerra nos moldes do Artigo 5 da OTAN e afirmou estar "grato porque a inteligência funciona agora", em referência ao alerta antecipado dos EUA sobre ataques com mísseis balísticos, segundo a BBC.
  • O Kremlin disse em 20 de outubro que esperava que um encontro pudesse ser "organizado em breve" (TASS). O ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, afirmou que Moscou ouviria, mas não faria "concessões políticas" (APA).
  • Nenhum termo detalhado foi publicado. O território, incluindo a exigência russa de que a Ucrânia abra mão da região do Donbass, continua sendo a questão pendente mais visível.

Witkoff vai de Oslo a São Petersburgo

Steve Witkoff, enviado especial do presidente Donald Trump, chegou a São Petersburgo na quarta-feira, 21 de outubro. O Kyiv Independent informou que ele prepararia uma nova rodada de conversas com seu interlocutor russo, Kirill Dmitriev. O Axios, citado pela agência de notícias ucraniana UNN, informou que Witkoff deveria se reunir com o presidente Vladimir Putin no mesmo dia. O genro e assessor de Trump, Jared Kushner, deveria participar remotamente. Até o fechamento desta reportagem, nem o Kremlin nem a Casa Branca haviam divulgado um relato oficial de qualquer reunião com Putin.

A viagem ocorreu logo após um dia de consultas em Oslo, em 20 de outubro. O Kyiv Independent disse que Witkoff se reuniu ali com Zelensky, com o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, e com o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, enquanto Kushner participava on-line. A UNN, citando o Axios, informou que representantes do Reino Unido, da França, da Alemanha, da Polônia, da União Europeia e da OTAN também estiveram presentes. Segundo o Axios, as conversas se concentraram em uma proposta conjunta de "acordo-quadro" para encerrar a guerra.

O New York Times informou, conforme citado pelo Kyiv Independent, que um encontro com Putin também poderia tratar da possível libertação de um cidadão americano detido por forças russas em 2022. Essa informação não foi confirmada oficialmente.

O que cada lado disse

A tabela abaixo reúne as principais declarações públicas das últimas 48 horas. Cada uma é atribuída ao veículo que a noticiou.

ParteAutorDeclaração (paráfrase ou citação curta)DataNoticiado por
Estados UnidosFuncionário americano não identificadoA Ucrânia "ofereceu novas ideias e propostas"; as partes fizeram "progresso significativo" e chegaram a um "forte alinhamento no nível técnico"20-21 outAxios via UNN
Estados UnidosSecretário de Estado Marco RubioRejeitou alegações de que Washington estaria retendo inteligência: "Isso é escandaloso. Isso é ultrajante."20 outUkrinform, citando a Sky News
Estados UnidosPresidente Donald TrumpDisse que "a Rússia gostaria que isso fosse resolvido", mas questionou se Zelensky quer encerrar a guerra20 outUNN
UcrâniaPresidente Volodymyr ZelenskyQuer um encontro trilateral de líderes; Witkoff apresentará propostas de garantias de segurança nos moldes do Artigo 520 outKyiv Independent
UcrâniaPresidente Volodymyr Zelensky"Grato porque a inteligência funciona agora" no alerta antecipado de mísseis balísticos20 outBBC
RússiaPorta-voz do Kremlin Dmitri Peskov"Esperamos que um encontro possa ser organizado em breve"; Moscou valoriza a mediação dos EUA20 outTASS
RússiaMinistro das Relações Exteriores Serguei LavrovAberto a propostas com benefício econômico, mas sem "concessões políticas de nossa parte"20 outAPA
FinlândiaPresidente Alexander StubbViu "elementos-chave em segurança" e "na economia"; relatou "progresso real"20 outKyiv Independent; BBC
NoruegaPrimeiro-ministro Jonas Gahr StøreA visita poderia "possivelmente abrir caminho para um encontro no nível de líderes"; a Europa precisa estar "à mesa"20 outKyiv Independent; BBC

Washington

A posição dos EUA, conforme descrita pelo funcionário citado pelo Axios, é que o plano atualizado deve levar a conversas diretas envolvendo Kiev e Moscou e, futuramente, a um formato multilateral mais amplo. Uma fonte a par das conversas em Oslo disse ao Axios que Kushner repetiu a exigência de Trump de que a Ucrânia pare de atacar refinarias de petróleo russas. O Axios também informou que a Casa Branca espera que Putin esteja mais disposto a ceder depois que Trump concordou em suspender sanções sobre as vendas de diesel russo.

Trump pareceu menos seguro em relação a Kiev. A UNN informou que, na terça-feira, ele disse que a Rússia queria um acordo, mas que duvidava que Zelensky quisesse. "Queremos que Zelensky faça um acordo", afirmou. O Kyiv Independent informou que Trump também questionou se os líderes precisariam se encontrar pessoalmente: "Eles não precisam estar na mesma sala."

Kiev

Zelensky disse que a Ucrânia tinha "algumas ideias claras sobre como chegar à paz" e queria que os EUA as levassem a Moscou, informou o Kyiv Independent. Seu principal pedido é um encontro trilateral de líderes para resolver as questões que, em suas palavras, só os líderes podem resolver. Segundo a UNN, a Rússia rejeitou esse formato até agora. O Axios informou que, após a reunião de Oslo, Zelensky disse estar pronto para interromper os ataques a refinarias russas se Moscou tomasse medidas correspondentes. A BBC disse que propostas de garantias de segurança "fortes" e de um cessar-fogo no setor de energia também foram discutidas.

As conversas vieram depois de uma disputa pública sobre a inteligência americana. Kiev havia acusado Washington de reter dados de alerta antecipado sobre ataques com mísseis, informou a BBC. Rubio negou a acusação durante uma visita comercial à Índia, dizendo a jornalistas que "nada está sendo negado deliberadamente à Ucrânia" e descrevendo a questão como um equilíbrio entre as obrigações dos EUA com outros parceiros e suas próprias necessidades (Ukrinform, citando a Sky News). Depois de Oslo, Zelensky disse que o alerta antecipado de ataques com mísseis balísticos agora estava funcionando e agradeceu ao lado americano. A BBC também informou que Rubio reconheceu que interceptadores Patriot adicionais talvez ainda não tenham chegado à Ucrânia.

Moscou

Em 20 de outubro, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse a jornalistas que Moscou considera "muito importantes" os encontros com os negociadores americanos e que anunciaria a data e o local de qualquer reunião com Putin, informou a TASS. Ele também disse que a Rússia precisava de um "representante legítimo" do lado ucraniano disposto a assumir responsabilidades. Moscou já usou esse enquadramento antes para questionar a autoridade do governo de Kiev.

Falando em Moscou no mesmo dia, Lavrov disse que a Rússia iria "ver o que eles propõem". Ele acrescentou que, se as ideias beneficiassem a Rússia econômica e financeiramente, "então por que não?", mas qualquer acordo não deveria envolver concessões políticas, informou a APA. Também disse que um futuro presidente dos EUA não estaria vinculado às decisões de seu antecessor e que a Rússia "deve contar apenas consigo mesma".

Capitais europeias

Os participantes europeus disseram ter ajudado a elaborar o pacote, mas deram poucos detalhes. Stubb afirmou que as propostas foram desenvolvidas por autoridades europeias, ucranianas e americanas e que o trabalho avançava "no nível técnico", apesar de "muito ruído no espaço público" (Kyiv Independent). Støre disse que a Europa precisa fazer parte de quaisquer negociações (BBC). Zelensky e os aliados europeus disseram que agora cabe à Rússia responder, informou a BBC.

O que se sabe, e o que não se sabe, sobre os termos

  • Garantias de segurança: Segundo Zelensky, o pacote inclui garantias para o pós-guerra inspiradas na cláusula de defesa mútua do Artigo 5 da OTAN. Nenhum texto público diz quem as forneceria nem como seriam aplicadas.
  • Economia: Stubb mencionou "elementos-chave na economia" sem dar detalhes. Os comentários de Lavrov sugerem que Moscou avaliará os aspectos econômicos por seus próprios méritos.
  • Energia e refinarias: Entre os elementos noticiados estão um cessar-fogo no setor de energia (BBC) e o fim dos ataques ucranianos a refinarias russas em troca de medidas da Rússia (Axios).
  • Território: Nenhum termo territorial do pacote de Oslo foi noticiado. O Kyiv Independent observou que Moscou continua exigindo que a Ucrânia ceda a região do Donbass, e a BBC informou que a Rússia controla cerca de 20% do território ucraniano. A recusa de Lavrov a fazer "concessões políticas" sugere que essa distância não diminuiu publicamente.
  • Formato: O objetivo declarado de Kiev e Washington é um encontro trilateral de líderes, mas Moscou não o aceitou. O Kyiv Independent citou relatos de que Putin preferiria se encontrar com Trump na China no próximo mês, sem a presença da Ucrânia. Esses relatos não foram confirmados oficialmente.

O que significa

A viagem de Witkoff é o primeiro teste direto do pacote acertado em Oslo. Os três lados querem ser vistos como engajados. Washington fala em "progresso significativo", Kiev diz ter oferecido novas ideias e Moscou afirma valorizar a mediação americana. Suas posições públicas sobre as questões centrais, porém, não mudaram de forma visível. A Ucrânia e seus parceiros europeus buscam garantias de segurança vinculantes e um encontro de líderes que inclua Kiev. A Rússia sinalizou interesse em arranjos econômicos, descartou concessões políticas e continua questionando a legitimidade da liderança ucraniana.

A disputa sobre inteligência também mostra o quanto Kiev depende de Washington enquanto as conversas continuam. A declaração de Zelensky de que o alerta antecipado "funciona agora" alivia um ponto de atrito. Perguntas sobre a entrega de interceptadores Patriot continuam em aberto. Os próximos sinais a acompanhar são qualquer relato oficial do Kremlin ou da Casa Branca sobre as reuniões de Witkoff, se Moscou aceita um formato trilateral e se termos escritos sobre território ou garantias serão divulgados. Até lá, afirmações sobre o conteúdo da proposta devem ser tratadas como parciais e atribuídas às fontes que as fizeram.

Perguntas frequentes

Por que Steve Witkoff viajou à Rússia em 21 de outubro de 2026?

Segundo o Axios, citado pela UNN, Witkoff foi a São Petersburgo para apresentar a Vladimir Putin um plano atualizado para encerrar a guerra na Ucrânia. O plano surgiu das conversas em Oslo com a Ucrânia, governos europeus, a UE e a OTAN.

O que contém a proposta de paz?

Os termos completos não foram publicados. Zelensky disse que ela inclui garantias de segurança no pós-guerra nos moldes do Artigo 5. A BBC e o Axios informaram que foram discutidos um cessar-fogo no setor de energia e a interrupção dos ataques a refinarias russas em troca de medidas recíprocas.

Como a Rússia respondeu?

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que Moscou esperava que um encontro pudesse ser organizado em breve e que valorizava a mediação dos EUA, segundo a TASS. O ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, disse que a Rússia ouviria, mas não faria concessões políticas, segundo a APA.

O que Zelensky disse sobre o compartilhamento de inteligência dos EUA?

Após as conversas em Oslo, Zelensky disse estar grato porque a inteligência funciona agora, em referência ao alerta antecipado dos EUA sobre ataques com mísseis balísticos, informou a BBC. O secretário de Estado Marco Rubio havia negado que algo estivesse sendo retido deliberadamente.

Quais são as principais questões pendentes?

O território continua sendo a maior divergência: Moscou segue exigindo que a Ucrânia ceda a região do Donbass. Quem forneceria as garantias de segurança e se a Rússia aceitará um encontro trilateral de líderes também continuam sem resposta.

Fontes

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