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2º turno no Brasil: Lula e Flávio Bolsonaro levam a disputa ao TSE
Antes do segundo turno de domingo, as duas campanhas pediram ao Tribunal Superior Eleitoral que barre o adversário. O tribunal também mandou a Meta provar que trata Lula e Flávio Bolsonaro de forma igual, e a empresa diz que já cumpriu a ordem.
Principais pontos
- O Brasil vota no domingo, 25 de outubro, no segundo turno da eleição presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), depois de um primeiro turno, em 4 de outubro, que deixou Flávio à frente por menos de dois pontos percentuais dos votos válidos.
- Na última semana, cada campanha recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar tirar o adversário da disputa, embora nenhum dos pedidos tivesse sido julgado até 21 de outubro.
- O TSE determinou que a Meta aplique regras idênticas às duas campanhas no Facebook, no Instagram e no WhatsApp, e elevou a multa diária por descumprimento para 1 milhão de reais. A Meta informou ao tribunal em 20 de outubro que cumpriu a ordem e nega favorecer qualquer candidato.
- As pesquisas divulgadas indicam uma disputa acirrada. Levantamento da Quaest divulgado em 14 de outubro mostrou Flávio com 46% e Lula com 44%, dentro da margem de erro de dois pontos.
O que o primeiro turno definiu
O primeiro turno, em 4 de outubro, reduziu a disputa a dois candidatos, mas deixou o resultado em aberto. Segundo os números divulgados pelo TSE, Flávio Bolsonaro, de 45 anos, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, obteve 47,03% dos votos válidos. Lula, que completa 81 anos na próxima semana, segundo a AFP, ficou com 45,16%. Nenhum dos dois alcançou os 50% mais um necessários para vencer no primeiro turno, o que levou a eleição a um segundo turno três semanas depois.
A diferença foi de cerca de 2,2 milhões de votos. Na véspera da votação de 4 de outubro, uma pesquisa Datafolha mostrava Lula à frente, de modo que o primeiro lugar de Flávio mudou a forma como as duas campanhas encararam o segundo turno. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a apuração transcorreu normalmente, exceto por um breve atraso na divulgação dos resultados, que o tribunal atribuiu ao congestionamento de seu sistema de resultados.
| Indicador | Flávio Bolsonaro (PL) | Lula (PT) | Fonte / data |
|---|---|---|---|
| Primeiro turno, percentual dos votos válidos | 47,03% | 45,16% | TSE, votação de 4 de outubro |
| Pesquisa Quaest do segundo turno, total de entrevistados | 46% | 44% | Quaest via Reuters, campo de 10 a 13 de out., divulgada em 14 de out. |
| Pesquisa Quaest do segundo turno, votos válidos | 51% | 49% | Quaest via O Povo, divulgada em 14 de out. |
A pesquisa Quaest de 14 de outubro, contratada pela TV Globo, ouviu 2.154 pessoas e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, por isso a diferença entre os candidatos não é estatisticamente conclusiva. A Reuters informou que 9% dos entrevistados disseram que votariam em branco, anulariam o voto ou não votariam. Uma segunda pesquisa Quaest sobre o segundo turno, com campo de 17 a 20 de outubro e registro no TSE BR-08535/2026, tinha divulgação prevista para 21 de outubro. Os resultados não estavam disponíveis quando este artigo foi escrito.
A disputa em torno da Meta
A maior disputa jurídica da campanha do segundo turno envolve as plataformas, e não diretamente os candidatos. Segundo a Associated Press, a campanha de Lula apresentou em 15 de outubro uma representação acusando a Meta, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, de usar algoritmos enviesados e restrições de IA que favoreceram Flávio Bolsonaro. A AFP relatou a alegação da campanha de que a ferramenta de IA do WhatsApp restringia conteúdo eleitoral sobre Lula, mas não sobre seu adversário.
O que o tribunal determinou
Em 15 de outubro, o ministro Marco Aurélio Bellizze, juiz do TSE responsável pelas disputas sobre propaganda eleitoral, determinou que a Meta aplique as mesmas regras aos dois candidatos durante o segundo turno, sob multa de 500 mil reais (cerca de US$ 100 mil) por dia de descumprimento. O The Rio Times informou que a maioria do plenário virtual do tribunal referendou a decisão em 16 de outubro. Segundo essa reportagem, a ordem:
- proíbe a Meta de reduzir o alcance, as recomendações, a visibilidade em buscas ou as métricas do conteúdo político de qualquer um dos candidatos, exceto com base em regras aplicadas igualmente a ambos;
- exige revisão humana antes que contas de anúncios de campanha sejam desativadas ou publicações impulsionadas sejam bloqueadas, e em até duas horas quando a restrição tiver sido imposta por um sistema automatizado;
- exige que o assistente Meta AI aplique regras idênticas aos dois candidatos.
O The Rio Times também informou que Bellizze escreveu que a decisão não conclui que a Meta tenha manipulado conteúdo a favor ou contra qualquer candidato. A ordem é descrita como preventiva, e o mérito do caso ainda não foi julgado.
Em 19 de outubro, a AFP informou que o tribunal considerou que a Meta não havia comprovado o cumprimento. O tribunal classificou a multa original como "insuficiente", dobrou o valor diário para 1 milhão de reais (cerca de US$ 200 mil) e deu à empresa 24 horas para comprovar o tratamento igualitário. A AP informou que centenas de pessoas protestaram em frente ao escritório da Meta em São Paulo no mesmo dia.
A resposta da Meta
Em 20 de outubro, a Meta informou ao tribunal que havia "concluído a implementação de medidas para cumprir a determinação do tribunal eleitoral", segundo a AP. A empresa afirmou que as restrições "não afetam publicações orgânicas". Ela descreveu um sistema de revisão humana que verifica manualmente, em até duas horas, bloqueios ou limitações automáticas aplicados a contas de anúncios das campanhas presidenciais. A Meta disse que seus problemas recentes foram causados por limitações técnicas e reiterou que nega qualquer viés político ou interferência deliberada. A AFP informou que a Meta havia dito anteriormente que alguns anúncios da campanha de Lula foram desativados por engano devido a falhas técnicas que não se limitaram ao Brasil. Um porta-voz do TSE confirmou à AP que o tribunal recebeu a resposta da Meta.
Pedidos cruzados de cassação
Até 21 de outubro, as duas campanhas tentavam tornar o candidato adversário impedido de assumir o cargo.
O pedido de Flávio Bolsonaro contra Lula
A Al Jazeera e a AFP informaram que os advogados de Flávio Bolsonaro pediram ao TSE, em 20 de outubro, que declare Lula e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, inelegíveis para cargos públicos por oito anos. O pedido os acusa de "abuso de poder" por meio de mensagens em massa no WhatsApp enviadas pelo governo durante a campanha para divulgar programas e benefícios sociais. Flávio chamou as mensagens de propaganda ilegal e pediu a anulação da candidatura de Lula. A resposta do governo ao pedido não havia sido divulgada.
O pedido previsto de Lula contra Flávio
A campanha de Lula afirmou que pedirá ao TSE a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro. O pedido é uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) baseada nas alegações contra a Meta. Segundo o jornal brasileiro A Tarde, a campanha pretende argumentar que algoritmos de recomendação, ferramentas de IA e sistemas de revisão de anúncios ajudaram Flávio e prejudicaram Lula, o que, segundo ela, configura uso indevido das redes sociais e abuso de poder econômico. A AFP informou em 21 de outubro, citando uma fonte da campanha, que a ação ainda não havia sido protocolada formalmente. A Meta nega favorecer qualquer candidato e afirma que suas regras se aplicam igualmente a todos.
O que significa
No Brasil, os pedidos de cassação e inelegibilidade são julgados pela Justiça Eleitoral depois que a defesa se manifesta e o Ministério Público Eleitoral emite parecer. Esse processo costuma levar mais tempo do que os quatro dias que faltam para a votação de domingo. Por isso, nenhum dos pedidos deve impedir a votação, mas qualquer um deles pode afetar o que acontece depois. Pela legislação eleitoral brasileira, uma decisão sobre abuso de poder ainda pode cassar um mandato ou impedir um candidato de assumir o cargo depois da eleição.
O caso da Meta pode ter repercussão além do Brasil. É uma das primeiras vezes que um tribunal eleitoral nacional determina a uma plataforma global, em pleno segundo turno, que comprove que seus algoritmos, seus sistemas de revisão de anúncios e seu assistente de IA tratam os candidatos rivais da mesma forma. O tribunal não identificou viés deliberado, e a Meta afirma ter cumprido a ordem. As principais questões em aberto são se o tribunal aceitará a resposta da Meta e se julgará o mérito antes ou depois de 25 de outubro. Com pesquisas dentro da margem de erro e uma diferença de menos de dois pontos no primeiro turno, o comparecimento e os votos brancos e nulos podem decidir o resultado.
O TSE informa que a votação se encerra às 17h, no horário de Brasília, em 25 de outubro, e que os resultados serão divulgados em seu portal oficial de resultados a partir de então.
Perguntas frequentes
Quando é o segundo turno da eleição presidencial no Brasil?
O segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro acontece no domingo, 25 de outubro de 2026. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulga os resultados em seu portal oficial depois do encerramento da votação, às 17h no horário de Brasília.
Qual foi o resultado do primeiro turno?
Segundo o TSE, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos em 4 de outubro, e Lula, 45,16%. Nenhum dos dois passou de 50%, e a disputa foi para o segundo turno.
O que o tribunal eleitoral mandou a Meta fazer?
O TSE determinou que a Meta aplique as mesmas regras às duas campanhas em suas plataformas, incluindo alcance, recomendações, revisão de anúncios e seu assistente de IA. Em 19 de outubro, elevou a multa diária por descumprimento de 500 mil para 1 milhão de reais. O tribunal não concluiu que a Meta tenha favorecido deliberadamente algum dos candidatos.
Como a Meta respondeu?
Em 20 de outubro, a Meta informou ao tribunal que concluiu as medidas necessárias para cumprir a decisão. A empresa disse que as restrições não afetam publicações orgânicas e negou qualquer viés político, atribuindo os problemas anteriores a falhas técnicas.
Algum dos candidatos pode ser cassado antes da votação?
As duas campanhas pediram ao TSE que barre o adversário, mas nenhum dos pedidos havia sido julgado até 21 de outubro. Esses processos normalmente levam mais tempo do que os dias que faltam para a votação, e a legislação eleitoral brasileira permite que decisões sobre abuso de poder produzam efeitos depois da eleição.
Fontes
- Al Jazeera / AFP — Lula, Bolsonaro seek to disqualify each other ahead of Brazil runoff (21 out. 2026)
- AP via PBS NewsHour — Meta tells Brazil's electoral court it gives equal treatment to Lula and Flávio Bolsonaro (20 out. 2026)
- France 24 / AFP — Brazil court orders Meta to prove it gives Lula, Bolsonaro campaign content equal treatment (19 out. 2026)
- Tribunal Superior Eleitoral — Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) vão disputar o 2º turno para a Presidência da República
- Tribunal Superior Eleitoral — Portal oficial de resultados
- The Rio Times — Brazil court backs equal treatment by Meta (16 out. 2026)
- Reuters via U.S. News — Flavio Bolsonaro slightly leads Lula in Brazil runoff, Quaest poll shows (14 out. 2026)
- O Povo — Quaest divulga nova pesquisa do 2º turno entre Lula e Flávio (20 out. 2026)
- A Tarde — Lula aciona TSE contra Meta e pede cassação da chapa de Flávio Bolsonaro (19 out. 2026)